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Luciana Soares, pedagoga, professora do ensino fundamental e médio, batista, mãe de três filhos e esposa de Fabiano Soares.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A PARÁBOLA DA PÉROLA



Uma das minhas parábolas favoritas é a da pérola; Mateus 13. 45 – 46 relata:

“Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e a comprou”.

Essa parábola me ajuda a meditar nas horas de tentação, desânimo e provação em porque vale a pena continuar buscando a vontade de Deus, quando seria bem mais fácil desistir, quando seria mais fácil deixar-me dominar palas paixões; porque abrir mão de algumas coisas que nem mesmo acredito que desagradem a Deus, simplesmente para não entristecer, não escandalizar, não fazer tropeçar a alguns... e então vem as palavras de Paulo; “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”.

Meditando nessa parábola e nesse mercador eu olho para mim, pra o meu anseio desesperado de encontrar algo que nem mesmo sabia explicar, algo de maior valor que tudo que eu tinha ou que tivesse experimentado e até ali não havia me satisfeito, não preenchia, não era suficiente; eu queria, precisava, desejava algo maior, algo que desse significado a minha vida, algo tão precioso que me levasse a dizer: - “Eu vivo por causa disto!” Pois minha existência em si mesma era vazia, sem sentido, me faltava algo, e algo muito grande, pois imenso era o abismo em mim. Assim como eu, este mercador ao longo de sua busca por pérolas preciosas deve ter adquirido várias, sem que nenhuma o tenha satisfeito, o tenha levado a concluir: - Esta é “A Pérola”, vivi até aqui somente para encontrá-la! E sai-se por aí experimentando, apaixonando-se, embriagando-se, buscando o êxtase nas coisas efêmeras, o esplendor das pérolas falsas ou de menor valor, até que um dia a porta é aberta, e diante dela acende-se em nós um misto de surpresa, medo, insegurança, felicidade profunda e principalmente o impulso irresistível de abraçá-la, de não largá-la por nada, não afastar dela para não correr o risco de perder o caminho e nunca mais encontrar; a simples visão da “pedra” te faz chorar, as respostas estão todas lá, o amor que se desejou tanto, a paz que enche a alma, o porquê de muitos vales e de muitos espinhos, de muitos choros e muitos risos. Sua vida toda está ali, e passa diante de você como num filme, e enfim é-lhe revelado o sentido, são lhe abertos os olhos e a visão é tão profunda e magnífica que rompe com as convicções, as concepções e tudo o que você foi e fez até ali é miserável, raquítico, diante do valor do reino que lhe foi aberto. Cristo é a minha pérola e ainda que seja gritante a escala de valor entre a sua santidade e a minha fraqueza,a sua divindade e a minha humanidade, vivo nesse processo de a cada dia desfazer-me de tudo, para obtê-lo, para abraçá-lo, para tê-lo junto a mim e poder contemplar seu brilho, seu valor, poder caminhar com ele, fazer a sua vontade, buscar a sua glória; afinal de contas, ele me ofereceu “A Pérola verdadeira” e tudo mais é de menor valor!



Luciana Alves Silva Soares

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